Sobre: Cachimbos Briarte
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Setembro 3, 2007 OFICINA BRIARTE – Amostras
Meu Cachimbo – por Nelson Lopes de Paula
Abri a tampa da caixinha de madeira. É uma caixinha executada com cuidado de artista, madeira envelhecida, e nos lados assim como na tampa estão rótulos de marcas de bebidas antigas. Foi feita pela minha mulher, que há alguns anos aprendeu a técnica, e me presenteou com todo carinho.
O cheiro de tabaco tomou conta do ambiente; uma mistura de odores e sabores que lembram o morango, o chocolate e talvez a cereja, quem sabe... O “Ranieri” sabe....
Acariciei o meu cachimbo, porque não se “pega” um cachimbo, ele foi feito para ser acariciado. As suas formas perfeitas, arredondadas casam bem com a palma da mão. Os veios da madeira “Rosewood” (pau-rosa) chamam a atenção pela beleza de suas estrias. Foi fabricado pela famosa Savinelli, secular fábrica de cachimbos da velha Itália.
A madeira usada na sua fabricação é única, e depois de um processo de secagem que leva alguns anos, é fervida por muitos dias em uma solução cuja composição é segredo guardado a sete chaves. Feito artesanalmente, é uma obra de arte.
Depois de acomodar com cuidado o tabaco no fornilho, aproximo um fósforo aceso, desses fósforos um pouco maiores do que o normal. Um fósforo normal mede cerca de quatro centímetros, mas esse tem cerca de cinco centímetros de comprimento.
A fumaça se esvai calma e tranqüila pelo ambiente levando junto consigo um odor que mais parece um perfume de Madagascar.
Minha velha ama resmunga:
- Nenê, isso faz mal para a saúde.
Outro dia tentei explicar-lhe que o cachimbeiro não “traga” a fumaça. Ela não compreendeu, então para simplificar mudei a palavra “tragar” para engolir. Ela abriu um sorriso enorme mostrando uma fileira de dentes brancos e disse: “Onde já se viu engolir fumaça... não é água...”. Desisti de convencê-la.
Pensei; afinal de contas o meu velho avô usou o seu cachimbo por mais de setenta anos, e olhe que ele viveu até os noventa e seis. Estava tão velhinho. Será que o cachimbo reduziu a sua vida em cinco ou dez anos... Trocaria o meu avô, setenta anos de prazer com o seu cachimbo por mais alguns anos se arrastando pela casa quase sem vida... Acho que não; e nem eu...Nelson Lopes de Paula, um cachimbeiro de verdade.
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